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12 anos após morte de Ariano Suassuna, 'O Auto da Compadecida' segue inspirando novas gerações: 'Texto extremamente atual'

12 anos sem Ariano Suassuna: 'O Auto da Compadecida' inspira novas gerações "Só sei que foi assim": de livro a peça de teatro, passando pelo cinema, televis...

12 anos após morte de Ariano Suassuna, 'O Auto da Compadecida' segue inspirando novas gerações: 'Texto extremamente atual'
12 anos após morte de Ariano Suassuna, 'O Auto da Compadecida' segue inspirando novas gerações: 'Texto extremamente atual' (Foto: Reprodução)

12 anos sem Ariano Suassuna: 'O Auto da Compadecida' inspira novas gerações "Só sei que foi assim": de livro a peça de teatro, passando pelo cinema, televisão e, agora, pelos palcos em versão musical, "O Auto da Compadecida" segue sendo recontado para novas gerações. Nesta quinta-feira (23), completam-se 12 anos da morte de Ariano Suassuna, um dos maiores nomes da literatura brasileira e autor do clássico que conquistou o país com a história de João Grilo e Chicó. O escritor morreu em 2014, aos 87 anos. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Escrita em 1955, a obra se tornou um símbolo da literatura nacional ao unir humor, religiosidade, crítica social e a valorização da cultura popular nordestina e, mesmo décadas depois, continua inspirando novas leituras sem perder a essência criada por Suassuna. Ariano Suassuna morreu no dia 23 de julho de 2014, aos 87 anos, no Recife Divulgação Em Bauru (SP), a companhia Arte em Cena, criada em 2023, decidiu enfrentar o desafio de adaptar o clássico para um espetáculo musical. A montagem tem autorização para utilizar o texto original concedida pela Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus), responsável pelos direitos da obra ligados à família de Suassuna. “O texto de Suassuna já é completo, não tinha onde colocar música. É da década de 1950, mas ainda é extremamente atual. Transformar o texto em música seria quase uma transgressão, um pecado cometido à obra”, conta Eduardo Carriel, um dos idealizadores do grupo teatral, em entrevista ao g1. A maior parte do elenco é formada por alunos dos cursos livres de teatro e teatro musical oferecidos pela própria companhia e inclui também o diretor do musical, Eduardo Carriel, que interpreta João Grilo, eternizado no cinema por Matheus Nachtergaele. Eduardo Carriel, diretor da obra, interpreta João Grilo, eternizado no cinema por Matheus Nachtergaele Reprodução Nova linguagem para um clássico Foi durante a pesquisa por uma linguagem capaz de preservar a essência de O Auto da Compadecida que Eduardo Carriel encontrou a principal inspiração para o espetáculo. O diretor buscou referências em obras que conciliavam música e literatura até chegar a "Hoje é Dia de Maria", minissérie da TV Globo dirigida por Luiz Fernando Carvalho a partir da obra de Carlos Alberto Soffredini. “Ali eu entendi que poderia incluir canções como num show, que não mudassem o tom da história, mas que pudessem fazer o público se identificar mais ainda com a obra, que é tão conhecida dos brasileiros”, explica. Hoje é Dia de Maria", minissérie da TV Globo dirigida por Luiz Fernando Carvalho TV Globo/Reprodução LEIA TAMBÉM Aos 8 e 11 anos, irmãs ganham prêmio literário com livro sobre infância longe das telas: 'Navegar é bom, ser criança é ainda melhor' Livro com quase 40 autores resgata lembranças de idosos e incentiva arte com ilustrações de xilogravuras no interior de SP A partir dessa referência, a companhia passou a costurar as músicas ao texto original, “sem tirar nenhuma vírgula daquilo que Ariano escreveu”. Para a trilha sonora, o diretor recorreu a um álbum que já fazia parte de sua história: “O Grande Encontro”, de 1996, de Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. “A musicalidade já sabia que seria essa: a música nordestina pulsante, colorida e sarcástica para falar da vida no sertão. As músicas somam à história e acabam ajudando a dar o tom das personagens”, revelou. As canções foram encaixadas de acordo com os perfis dos personagens, como “Moça Bonita” para Chicó, “Morena Tropicana” para Dorinha e “Papagaio do Futuro” para João Grilo. Companhia de Bauru (SP) adaptou história de João Grilo e Chicó em musical Divulgação Entre o circo e o sertão: quando o figurino também conta a história O musical também aposta em uma estética própria, distante da versão que ficou marcada no cinema. Com preparação cênica de Marisa Riso, o espetáculo incorpora elementos do universo circense aos figurinos. Personagens ligados ao poder, como o Bispo, o Padre e o Major, usam roupas exageradas, cobertas de moedas, cédulas e santinhos. História de João Grilo e Chicó é recontada com estética circense por companhia de Bauru Divulgação Por outro lado, o padeiro usa gravatas como avental, os cangaceiros carregam ímãs de geladeira no lugar das balas, e Jesus surge com um figurino inspirado nos MCs de rap. “Queríamos que a plateia tivesse mais coisas para observar e entender e, nisso, deixamos a imaginação fluir na produção artística”, contou Eduardo em entrevista ao g1. A maior parte do elenco é composta por alunos dos cursos livres de teatro e teatro musical mantidos pela própria companhia. Mesmo com a liberdade visual, a companhia diz ter mantido o cuidado para não trair o espírito da obra. “O cuidado foi em manter a fidelidade da sátira do auto e exagerar ainda mais o jogo de poder. Afinal, é um texto que pede isso o tempo todo”, resume. Musical de "O Auto da Compadecida" incorpora elementos do universo circense aos figurinos em Bauru (SP) Divulgação Companhia já produziu mais de 20 montagens A adaptação marca os três anos de trajetória da Arte em Cena, que já produziu mais de 20 títulos, entre eles os autorais “Somos Tão Jovens” e “Jeca Tatu”, além dos musicais da Broadway “Shrek”, “Mamma Mia!” e “Rocky Horror Show”. Ao longo desse período, a companhia diz ter empregado, direta ou indiretamente, mais de 50 artistas de Bauru e região. Para Eduardo, a escolha por Suassuna tem relação direta com o caminho que o grupo já vinha trilhando. Figurinos são parte importante de adaptação de "O Auto da Compadecida" em musical Divulgação “Desde ‘Jeca Tatu’, entendemos que o público do interior de São Paulo gosta de ver nossa brasilidade em cena, ouvir músicas em português e também cantar junto”, diz. “Unimos essa vontade de colocar o Brasil no palco com esse peso da obra de Suassuna, que é, na nossa humilde opinião, a maior obra teatral brasileira”, complementa. A próxima apresentação de “O Auto da Compadecida – O Musical” será realizada no dia 8 de agosto, às 20h, no Teatro Municipal “Waldir Silveira Mello”, em Marília (SP). Atores da nova geração adaptam 'O Auto da Compadecida' para musical com estética circense Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

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